20.9 C
Contagem
segunda-feira, maio 27, 2024
HomeColunasArtigoAlimentação saudável no Brasil

Alimentação saudável no Brasil

Date:

Matérias Relacionadas

Edição 1232 24 de Maio de 2024

Edição Online da Edição 1232 do Jornal de Contagem Pop Notícias

Obras na Avenida Maracanã

Uma obra estruturante As milhares de pessoas que passam todos...

Mais acessibilidade e inclusãox’

Facilidade de locomoção A Prefeitura investe para garantir a inclusão...

Aymoré e Arcor presenteiam a cidade

Comemorações O ano de 2024 é marcado por duas importantes...

Oncoclínicas inaugura unidade em Contagem

Considerado um dos maiores grupos de oncologia da América...
Ir para Criarteweb

Em um recente estudo divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelou que mais de um quinto da população brasileira está obesa. O relatório aponta que este número chegou a 22,1% da população em 2016, aproximando o Brasil da taxa dos países ricos que formam o G20, grupo das nações que integram a maior economia do mundo. Só entre as crianças brasileiras, o número de obesos é de 11% e, de pré-obesas, 17,2%. Já, entre as mulheres adultas o número salta para 25,4%, enquanto os homens, 18,5%. Tal levantamento usa como critério o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), uma equação que leva em conta o peso e a altura de cada indivíduo. Um IMC que varia entre 25 e 29,9 indica um sobrepeso; 30 aponta obesidade e; acima de 35 é classificado como obesidade mórbida.
Os dados do estudo trazem também uma informação importante: pessoas de baixa renda e com menor nível educacional são as que apresentam maior tendência à obesidade, visto que o acesso a alimentação saudável torna-se cada vez mais difícil. As consequências vem em cadeia, de nível econômico a social. O sobrepeso é uma grave ameaça à economia dos países, causando impactos significativos nos cofres públicos, que precisam arcar com os custos do tratamento de doenças como diabetes e problemas cardiovasculares, decorrentes do excesso de peso. Para quem sofre destes males, o acompanhamento médico é imprescindível e, portanto, o sobrepeso será, também, causador de afastamentos no mercado de trabalho.
Se ir ao médico é vital, deixar o posto de trabalho com frequência será, para o negócio, bastante prejudicial. A instabilidade do colaborador reduz a possibilidade em continuar empregada, aumentando, em contrapartida, a taxa de desemprego. Se o desemprego assusta, é preciso colocar mais um fator nessa balança: as doenças decorrentes do excesso de peso precisam de medicamento para o controle efetivo, o que tende a provocar um desequilíbrio ainda maior nas finanças – seja ela da própria pessoa enferma, ou do governo, que arca subsidiando as drogas. Para a OCDE, este resultado pode ter um impacto negativo de 5,5% no PIB, entre 2020 e 2050, sendo que, neste mesmo período, a expectativa de vida dos brasileiros sofrerá uma redução em até três anos.
Diante desse quadro, é imperioso que o processo de universalização e o acesso a boa alimentação seja facilitado por empresas, governos e órgãos ligados à saúde pública. São intervenções necessárias e urgentes, que deve ter por objetivo quebrar paradigmas de mudança dos hábitos alimentares. Isso significa deixar de associar a comida saudável com algo ruim ou sem sabor – como a xoxa e insossa salada de folhas. É preciso que o brasileiro conheça outros sabores, texturas e combinações, descubra temperos e vivencie experiências gastronômicas que unam o saboroso e saudável. Mas, mais do que isso, que tenha acesso a “comida de verdade” por um valor acessível, compatível com a renda média do brasileiro.
A proposta de universalizar o acesso a alimentação saudável pode soar ampla e genérica, mas se refere à proporcionar ao brasileiro uma dieta equilibrada, composta por macros e micronutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo, como proteínas, fibras, vitaminas e minerais. Fazer o bem por meio da alimentação não é apenas deixá-lo magro, mas sim torná-lo capaz de exercer com facilidade suas funções sociais e, principalmente, econômicas. É, para governos e organizações, alterar a ordem de investimento: ao invés de aportar no tratamento da doença, é direcionar à prevenção, priorizando a saúde. A mudança de hábito não é benéfica apenas para pessoa, mas também para saúde dos cofres públicos.

  • Rodrigo Barros – administrador de empresas e CEO da Boali, maior rede de alimentação saudável do Brasil.

Últimas Matérias

spot_img
Iniciar Conversa
Precisa de Ajuda?
JORNAL DE CONTAGEM
Olá
Podemos Ajudar