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Em uma semana histórica no Rio de Janeiro, dois ex-governadores foram presos, escancarando um cenário apavorante em que se misturam corrupção, suborno, propina e irresponsabilidade: Anthony Garotinho (PR), em meio à Operação Chequinho, que investiga a compra de votos durante a eleição do dia 2 de outubro em Campos, no Norte Fluminense; e Sérgio Cabral (PMDB), alvo de dois mandatos de prisão preventiva, no âmbito da Lava-Jato, acusado de liderar um grupo que desviou R$ 224 milhões em contratos de obras. Os dois inimigos políticos foram parar no mesmo presídio, complexo penitenciário de Bangu.

Dois ex-governadores presos em menos de 24 horas é algo inusitado e que nos permite ter esperança de que o Brasil está mudando, e de que este não é mais o país da impunidade. A prisão de políticos e executivos tem demonstrado também que dentro dos sistemas corrompidos, há ainda homens que lutam pela ordem, pela justiça social e pelo equilíbrio de convívio na sociedade. Homens que sabem que não há outro jeito de se enfrentar a corrupção, senão cumprindo-se a lei.

Neste sentido, estamos percebendo, com satisfação, que Sérgio Moro não é o único juiz disposto a cumprir a sua função diante de políticos ou empresários influentes e poderosos. A operação que prendeu Sérgio Cabral é resultado de um esforço conjunto do Ministério Público Federal (MPF) e marca também a inédita cooperação entre a Justiça do Rio e a de Curitiba. Outro fato é que as instituições brasileiras – o Ministério Público, a Polícia Federal, e setores do Judiciário – não parecem sujeitas aos interesses mesquinhos deste ou daquele governante ou empresário.

Mas será mesmo que os políticos desonestos estão com dias contados? Infelizmente, ainda não podemos afirmar que sim. Para termos este tipo de representantes, é necessário que nós, cidadãos e eleitores, façamos o mesmo. Devemos rejeitar atalhos, jeitinhos e soluções que impliquem em receber vantagens indevidas.
Precisamos ensinar as crianças e os jovens sobre os valores da ética, estimulá-los a fazer a

coisa certa, sempre. Ensiná-los que dá para crescer na vida e nos negócios sem pagar propina, sem corromper funcionários públicos e privados, sem enganar as pessoas. Ou seja, vivendo honestamente.

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