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A nova ágora – edição 1136

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Em artigo do jurista Luiz Flávio Gomes, ao comentar manifestação de desapontamento de articulista de um jornal dedicado à Economia com a cultura política brasileira, deu-lhe razão. De acordo com eles, as redes sociais estão, até agora, cumprindo “um ridículo e inócuo papel. Ideias e projetos para a sociedade se definham e se perdem em debates estéreis, polarizados e partidarizados”.

Os cientistas sociais já definiram, com real clareza, que a internet é a nova ágora – praça pública, segundo os gregos – onde podem e devem ser discutidas e debatidas as grandes questões políticas e administrativas da nação. O que o jurista chama de Democracia Direta Digital se apresenta como caminho viável para fortalecer a cambaleante e corrupta democracia.

Identificado o problema, o brasileiro odeia discutir suas ideias, expor suas ignorâncias. Talvez por isso se sinta tanta falta de debate nos parlamentos brasileiros, especialmente os municipais. Há a convicção de que o brasileiro prefere morrer com sua ignorância – ou suas ideias – a ceder um milímetro. Herança de um autoritarismo que só alimenta o medo de que o debate sirva de palco para o ignorantismo. É preferível a exploração da ignorância alheia, onde o mais astuto pode manipular o ignorante. Demagogias à parte, o debate público não passa de manipulação.

É verdade que a mudança se faz necessária, assim como o fato de que o brasileiro não tem formação cultural para o debate. As reações diante de afirmações como a de que o brasileiro não sabe votar só fazem confirmar a regra. Afinal, o aprendizado leva tempo. Custa, leva tempo, mas se aprende.

Esse aprendizado envolve também o frequentar a ágora dos tempos modernos. Mais uma eleição se aproxima e o espetáculo que se pode antever, na utilização das redes sociais, é no mínimo preocupante, pois joio e trigo se misturam com uma facilidade ainda maior.
O ódio espumante precisa ficar de fora para não aumentar ainda mais a cegueira envolvente. Em outras palavras, é preciso assegurar um debate de qualidade. Sem abrir mão das convicções políticas, mas reconhecendo que há decência de todos os lados de espectro partidário.

Democracia é construção e não se faz com alcunhas pejorativas, nomenclaturas humilhantes, ações vingativas, desqualificação em bloco de pessoas boas que fazem um bom trabalho. Liberdade e respeito, ainda que tardios.

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