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Festividades da Abolição

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Em cerimônia marcada pela fé, por orações e pela memória de seus antepassados, a Comunidade Quilombola dos Arturos, em Contagem, promoveu a “celebração” da Abolição, na noite deste sábado (8/5).

Também conhecida na comunidade como “Festa de Maio” ou, ainda, “Reinadinho”, como diriam os antepassados, a cerimônia é uma homenagem à história da comunidade, da luta do povo negro contra a escravidão e pela valorização e memória dos entes que já se foram.

Apesar da perda recente do patriarca dos Arturos, Mário Brás da Luz, vítima da Covid-19, último filho vivo de Artur Camilo Silvério, fundador da Comunidade Quilombola dos Arturos, não foi esse o motivo de a cerimônia ter sido reduzida este ano, mas sim a pandemia e a necessidade de preservar a vida dos membros da comunidade.

É o que explica Jorge Antônio dos Santos, 53, participante do congado dos Arturos desde o “ventre” da mãe. “Nossa comunidade está sujeita a tudo que acontece no mundo. Esta pandemia afetou também a nós e nossas tradições. De toda a nossa festividade da abolição, não estamos realizando nem 40%. Mais importante é preservar a vida do nosso povo”, disse.

José Bonifácio da Luz, 72, também conhecido por “Zé Bengala”, neto de Artur e filho de Dona Conceição Natalícia (Tetana), rainha do Império, disse que os próprios antepassados apontavam a importância de manter a cerimônia viva. “Eles (antepassados) deixaram para nós que mesmo que morressem no dia da festa, era para continuar tocando o tambor”, afirmou.

Zé Bengala lembra que a celebração da Abolição “não é uma festa”, mas uma “tradição” e um momento de “recordação” dos antepassados. “Se a gente não lembrar de onde viemos, a gente acaba”, disse.

Segundo a tradição da comunidade, na “Festa de Maio” são erguidos 15 mastros, mas, neste ano, foram apenas três, simbólicos. Um mastro (São Benedito) foi erguido na Igreja Nossa Senhora do Rosário, outro (Santa Efigênia) no marco da comunidade, um cruzeiro. Por último, foi erguido um mastro (Nossa Senhora do Rosário) na capela dentro da própria comunidade.

Para a secretária de Cultura de Contagem, Monique Pacheco, presente na cerimônia, a cidade tem muito a aprender com os Arturos. “Eles (Arturos) dizem muito sobre nossas origens, são um povo que tem uma memória a ser cuidada, tradições a serem mantidas. Eles carregam e simbolizam muito a nossa cidade”, destacou.

Ampliar o acesso à cultura dos quilombolas e preservar as tradições locais são ensinamentos passados de geração para geração, como aponta Zé Bengala. “A comunidade está aberta para receber a todos. É bom que as pessoas vão conhecendo o que é o reinado, o que é a comunidade, isso amplia o alcance da nossa cultura”, ressaltou.

“Infelizmente perdemos nosso patriarca, único filho de Artur que restava. O céu está sorrindo”, finalizou Zé Bengala.

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