Reforma do fim do mundo

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Os brasileiros saíram às ruas em todo o país, na quarta-feira (15/03), para dizer um veemente NÃO à reforma da Previdência que o governo ilegítimo de Temer tenta enfiar “goela abaixo” da população. O dia de protesto foi marcado por atos públicos, manifestações e paralisações das mais diversas categorias em praticamente todas as capitais do Brasil e em muitos municípios do interior. Em Belo Horizonte, não foi diferente, com o povo tomando o Centro da cidade para demonstrar sua indignação.

Está dado o recado. Como ressaltou o governador Fernando Pimentel, recentemente, “a voz de Minas se levanta” contra uma reforma que só visa penalizar os mais carentes e retirar direitos consolidados. Que bom termos um governador que ergue a cabeça e não se furta em confrontar o poder central em nome dos interesses do povo mineiro. A mesma lógica o faz se negar a aderir ao programa do governo federal de socorro financeiro aos Estados, à custa do sacrifício dos servidores e da entrega do patrimônio de Minas. A este preço, conforme disse Pimentel,

preferimos continuar enfrentando sozinhos as nossas dificuldades.

Não podemos ser ingênuos. Tanto com o pacote de maldades imposto aos Estados, quanto com a malfadada reforma da Previdência, o Governo Temer passa ao largo dos interesses da ampla maioria dos brasileiros. Desmascarada a farsa do rombo da Previdência, como atestaram vários estudos, cabe-nos questionar a quem interessa esta reforma. A meu ver, está clara a intenção de privatizar o sistema de Previdência pública. Tornando-o inviável, promove-se uma corrida aos planos de previdência privada, geridos pelas grandes instituições financeiras, que abarrotarão ainda mais os seus cofres. Por sua vez, o Governo Temer consegue quitar mais uma conta do golpe, satisfazendo as elites que o alçaram à presidência. Já o trabalhador… Mais uma vez, pagará o pato.

Tudo está interligado e não há “ponto sem nó”. Uma questão de fundo para a qual poucos têm atentado é que a seguridade social está diretamente relacionada à distribuição de renda e de riquezas em nosso país. Ela é, fundamentalmente, uma forma de se garantir aos mais pobres condições mínimas de vida. Por isso, a Previdência é rechaçada pelos donos do capital, seus maiores sonegadores. Regidos pela lógica do mercado, eles visam única e somente os lucros e não admitem uma divisão mínima do “bolo”. Que ninguém se iluda: mais uma vez, por trás de tudo, está a “velha” luta de classes.

O momento é decisivo. Não há atalhos. O único caminho é a organização e mobilização da classe trabalhadora. Foi assim na conquista de direitos consagrados, como jornada de oito horas, salário-mínimo, férias e décimo terceiro salário, e assim deverá ser na defesa da Previdência. No dia 15 de março, os brasileiros e as brasileiras deram uma amostra do que são capazes, demonstrando que não fugirão à luta. Estará o Governo Temer disposto a pagar para ver?

Durval Ângelo –  deputado estadual e líder do governo na Assembleia

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