Mobilidade

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Os usuários de ônibus e trens não andam nada satisfeitos com esses meios de transporte para ir e voltar do emprego. É o que revela levantamento inédito da Vagas.com, empresa que desenvolve soluções tecnológicas para recrutamento e seleção. A pesquisa mostra que 45% dos usuários de ônibus avaliaram como péssimo ou ruim o meio utilizado. No caso dos trens, a avaliação foi bem semelhante: 44% dos passageiros reprovaram esse modelo de transporte.

O estudo mobilidade para ir e vir do trabalho foi realizado de 16 a 25 de agosto deste ano por e-mail para uma amostra da base de currículos cadastrados no portal de carreira VAGAS.com.br, contemplando 10 capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte, Florianópolis, Recife, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre). O objetivo da pesquisa era entender o comportamento desse público no deslocamento até seu local de trabalho e na volta para casa e o que pensam sobre alguns aspectos importantes de mobilidade urbana. Os 3208 respondentes são, em sua maioria, homens (54%), possuem idade média de 38 anos e nível superior (54%).

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A pesquisa aponta que Brasília (59%), Recife (57%), Salvador (49%) e Belo Horizonte (48%) foram as cidades que concentraram as piores avaliações (péssimo e ruim) dos passageiros de ônibus. No caso dos trens, foi em São Paulo onde houve maior percentual de péssimo ou ruim (47%).
Dos passageiros que utilizam o metrô, 38% julgaram o meio como bom ou excelente, 34% regular e 28% ruim ou péssimo. Os veículos com menor capacidade de transporte de usuários foram os que tiveram as melhores avaliações dos respondentes. De acordo com 63% daqueles que utilizam a motocicleta, o nível de satisfação é bom ou ótimo. O percentual de aprovação é elevado também para quem usa o carro (60%), bicicleta (56%) ou desloca-se a pé (46%).

Ônibus, trem e carro têm as piores percepções

O levantamento procurou saber se piorou, manteve-se igual ou melhorou a percepção de quem utiliza transporte, considerando os quesitos infraestrutura, segurança, agilidade, conforto, custo e limpeza, em relação ao ano passado. Os resultados apontam que ônibus, trem e carro obtiveram os maiores índices de piora: 39%, 36%, e 32%, respectivamente.
O carro obteve sensação de piora em Curitiba (38%) e São Paulo (37%). No caso dos trens, a nota de piora em relação ao ano passado foi baixa em São Paulo (42%). Para o ônibus, a piora foi detectada em Curitiba (55%), Recife (52%), Brasília (51%) e Belo Horizonte (46%).

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A bicicleta foi o meio com a melhor percepção de melhoria em relação ao ano passado entre todos avaliados. Obteve 64% de sensação de melhoria. Para quem utiliza carro, a percepção de que melhorou foi registrada em Porto Alegre (30%), Salvador e Fortaleza (29%), Rio de Janeiro (28%).

“As cidades que investiram em faixas exclusivas ou apostaram em outras frentes tiveram a percepção retratada positivamente nesse estudo. O usuário de transporte consegue detectar rapidamente ações que tragam benefício imediato ao seu dia a dia e repassar essa sensação de forma voluntária e espontânea”, analisa Rafael.

Preferência é por metrô e carro 

O estudo investigou o meio de transporte preferido dos respondentes para ir e voltar do trabalho, caso pudessem escolher. Metrô e carro lideraram as preferências, com 30% cada. Na sequência aparecem ida a pé (15%) e bicicleta (11%). Os ônibus representaram 7% e as motocicletas, 4%. Por último, o trem, com 2%.

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Esses dados mostram que as pessoas desejam utilizar outros meios menos convencionais para cumprirem sua jornada. É preciso que se desenvolvam políticas de incentivo, tanto da iniciativa privada como da pública, para estimular mais a locomoção saudável e sustentável dos trabalhadores. Esse tipo de iniciativa precisa ser ampliado para que as pessoas tenham mais qualidade de vida, explica o coordenador.

Volta do trabalho – Os respondentes das capitais pesquisadas demoram, em média, uma hora e 43 minutos para ir e voltar do trabalho. O retorno é mais vagaroso: são 56 minutos contra 47 minutos para quem vai para o emprego. Em relação à distância, foi atestada que a mediana percorrida é de 28 quilômetros.
Os cariocas são os que mais gastam tempo para ir e voltar do trabalho: são duas horas e nove minutos. Os paulistanos vêm logo em seguida: uma hora e 54 minutos. O terceiro posto fica com os mineiros, com uma hora e 31 minutos.
Quanto à distância, a maior mediana percorrida ficou para os catarinenses, com 31 quilômetros. Os cariocas ficaram com 30 e os recifenses, 29.
“Ao cumprir a jornada média de oito horas diárias de trabalho, o trabalhador ainda tem de enfrentar quase duas horas para se deslocar. Isso mostra que as pessoas acabam tendo pouco tempo livre para realizarem outras atividades”, conta Rafael.

Ida e volta do trabalho

Mais da metade dos respondentes apontou que utiliza carro e ônibus em seu trajeto para o emprego. Os que informaram ir de carro somaram 56%. Desse total, metade confirmou que vai e volta com veículo próprio, 7% de carona e 5% por meio de táxis ou aplicativos, como o Uber.

Para 52%, o ônibus é o transporte predominante no deslocamento do trabalho. O metrô aparece como terceira opção, com 26%. Ir a pé, 10%. O trem auxilia 9%. As motocicletas transportam 6% e as bicicletas, 4%.

Entre as capitais, o uso de carro é maior em Curitiba (76%), Brasília (68%) e Belo Horizonte (65%). No caso dos ônibus, a alta adesão foi verificada em Florianópolis (64%), Porto Alegre (62%) e Rio de Janeiro (61%).

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