Sonhos e bagunça

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Viajando para palestras em escolas e empresas, já me hospedei em quase todo tipo de hotel, com hóspedes estranhos, cheio de mistérios.
Certa madrugada, percebi que havia alguém perto da cama. Alguém me olhando, como se tivesse se agachado ao lado da cama, com o rosto muito perto do meu.
Mas um rosto surpreendentemente pequeno. Parecia do personagem do filme ET. Como não me assombro com essas coisas, procurei entender que estava ali.
Abrindo e fechando os olhos algumas vezes, a imagem se transformou. Era uma cobra, uma cobra naja, daquelas que abrem a cabeça.
Precisava agir com precisão. Fingir estar dormindo ou fugir?

Lembrei-me das histórias que ouvia quando era criança e morava na roça: fugir de uma cobra poderia nos levar a pisar na companheira dela ali perto. Senti calafrios ao me imaginar levantando e correndo pelo pé da cama, onde outra cobra estaria me esperando.

Em um momento de delírio caí sobre a cobra, segurei-a pelo pescoço e a enrolei em seu corpo. Abri o guarda-roupa. Guardei-a e voltei aliviado para a cama. Estava ensopado de suor frio. A tensão foi muito grande.
Antes de deitar, eu havia passado a minha camisa. Como o ferro de passar roupa estava quente, deixei-o no meio do quarto, de pé, com o fio solto.
As histórias que ouvi no hotel combinadas com a luz da lua sobre o ferro, foram ingredientes suficientes para que o sonho agradável que eu precisava ter se tornasse pesadelo. Quarto bagunçado transforma sonho de quando dormimos em pesadelos.
Acordados, também temos sonhos. Para que não se percam ou não se tornem pesadelos, precisamos evitar a bagunça na vida.

Wagner Matias de Andrade – www.5s.com.br

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