Mesmo com a crise impedindo os brasileiros de gastarem mais neste Natal, muitos consumidores já fazem as contas para garantir os presentes das crianças, que passam boa parte do ano prometendo um bom comportamento para serem recompensadas na data. Um estudo realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas revelou que na maior parte dos casos a escolha do presente de Natal para as crianças é feita exclusivamente pelos pais (48,1%). Não se pode, contudo, minimizar a influência dos filhos no processo decisório. Em 48,5% dos casos eles participam de alguma maneira na escolha do presente que vai ganhar: 38,6% dos pais entrevistados disseram que a decisão é feita em conjunto entre os filhos e eles e outros 9,9% confessaram que é a criança quem decide sozinha o presente que irá ganhar na data.
O educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, reconhece que para os pais não é tarefa simples escolher o que comprar para dar aos filhos.

Seja no Natal ou em outra data comemorativa, como aniversário e Dia das Crianças, é importante ouvir os desejos dos filhos, mas não se deve extrapolar os próprios limites financeiros para evitar as frustrações dos pequenos, diz o educador.

“O ‘não’ como resposta precisa ser assimilado pelos filhos como algo natural na educação em casa”, diz Vignoli. Ele explica que o pai ou a mãe que satisfaz todas as vontades das crianças, camuflando a realidade financeira da família, acaba desenvolvendo filhos sem limites, que vão acumular ao longo da vida diversas frustrações para lidar com situações negativas, inclusive na relação com o dinheiro.

Os pais que falam de maneira transparente e dão bons exemplos, conseguem criar adultos preparados financeiramente e que conseguem lidar bem com as dificuldades impostas pela vida, explica o educador.

Diálogo- Pais deixam de pagar contas para satisfazer vontade dos filhos. Sem controlar seus gastos, alguns pais correm o risco de terminar o ano devendo. A pesquisa indica que 4,6% dos entrevistados admitem que vão deixar de pagar alguma conta para atender ao desejo dos filhos neste Natal, sendo que as despesas mais afetadas serão água, luz e telefone (2,3%).

Os especialistas recomendam que os pais dialoguem de maneira franca com os filhos, deixando claro que é preciso estabelecer um limite, pois a família tem inúmeras prioridades a cumprir, além das compras de Natal. “Deixar de pagar uma conta para presentear é erro grave e bastante extremo, capaz de trazer consequências danosas ao orçamento familiar. O melhor é evitar atitudes impensadas e lembrar que um bom exemplo começa dentro de casa. Pais com a vida financeira organizada influenciam os filhos a se tornarem adultos com o orçamento em dia. O apelo emocional do Natal não pode servir de desculpa para gastos não planejados”, alerta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

JC1089-1202Presente certo – O estudo mostra ainda que em caso do presente recebido não agradar o gosto do filho, a frustração é compensada em quase metade dos casos (49,7%) por meio de uma barganha – os pais se comprometem em dar o presente desejado em outra ocasião. Em 23,1% dos casos os pais relataram que os filhos ficam tristes e frustrados, mas logo se esquecem do pedido ou não pedem outro presente no lugar. Há, no entanto, casos mais extremos. A pesquisa mostra que 1,3% dos pais ouvidos no levantamento admitem que em situações assim seus filhos geralmente choram, fazem birra e até chantageiam os pais na esperança de ganhar o presente desejado.

Para minimizar a frustração das crianças, os especialistas recomendam que os filhos façam uma lista de presentes, dando ao pai ou a mãe a liberdade de escolher uma das opções sugeridas.

Dessa maneira, os filhos percebem que essa não é uma decisão exclusiva deles, mas que precisa ser feita em acordo com os adultos, já que são os pais quem trabalham e têm o controle do dinheiro dentro de casa. Influenciadas pela propaganda ou pelo convívio com outros amigos, é natural as crianças pedirem brinquedos caros e muitos presentes. Porém, dar presentes somente em datas especiais estimula o imaginário dos filhos, condicionando-os a dar valor ao que se tem e ao que se ganha, diz o educador.

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