O Centro Cultural de Contagem (Casa Amarela) recebe até dia 30 de setembro, de segunda a sexta, das 09 às 17h, a exposição “Folha de rosto”, de Camila Lacerda. A mostra vai apresentar uma instalação com livros/objetos, uma criação da artista que utiliza enciclopédias para confecção de objetos que remetem a cabeças recortadas no material. Sobre a instalação, comenta Paulo Caetano – doutor em Teoria da Literatura pela UFMG: “o que nos dá forma? Seria aquilo que desejamos? O que lemos? A instalação “Folha de rosto”, de Camila Lacerda, suscita perguntas instigantes como essas. Se num trabalho acadêmico a folha de rosto é da ordem do pragmático-informativo, aqui a expressão sugere algo para além do pragmatismo pedestre, ao aludir a intricados processos formadores.

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Enquanto os participantes (a instalação habilmente coloca os visitantes como figuras ativas) transitam por entre as cabeças, seria possível indagar: quem merece nossa contemplação? Só quem passou pela chancelada (en)formação livresca? As cabeças dialogam entre si? Que livros estampam os rostos? Numa época em que a mídia corporativa tomou para si a função de enformar o imaginário, a instalação de Lacerda se faz muito necessária.

“Folha de rosto” talvez sugira que o corpo-livro mantém-se em pé se forma e abertura permitirem. Afinal, para melhor se sustentar, ele precisaria ficar aberto. A condição para não tombar é se abrir à ação que implica alguns riscos, como a exposição do próprio conteúdo, que estará sujeito ao crivo do vizinho-leitor, esse juiz velado, mas vigilante”.
Camila Lacerda é bacharel em Artes Plásticas pela Escola Guignard (UEMG), pós-graduada em cinema (Jornalismo Cinematográfico), pelo Centro Universitário UNA/MG e mestranda em artes pela Universidade do Estado de Minas Gerais.

Onipresença – Também até dia 30 de setembro, a Galeria de Artes da Prefeitura recebe de segunda a sexta, das 09 às 17h a mostra “Elemento onipresente”, de Rico Maciel. São painéis em acrílica sobre tela, de grandes dimensões, em que o artista constrói uma narrativa estética sobre a importância da água para a manutenção da vida.

Utilizando uma linguagem atual que é a do grafite, a série “Elemento onipresente” recorre a símbolos clássicos, imagens históricas e a uma certa ironia, para demonstrar e promover no espectador o questionamento sobre o tema da cultura da água. O artista recorta de sua memória e da memória coletiva, os vínculos da vida humana com a água, tanto a que separa sociedades geográficas, quanto a que une povos pelo valor vital.
A partir da leitura indireta das imagens nos painéis, o público pode repensar a relação com o elemento que está sempre onipresente em sua existência, mas que talvez não tenha a reconhecida valorização. Reflexões propõem um mergulho na imagética rica que compõe o trajeto deste líquido em uma linha cronológica que, sendo desenhada, nos faz perceber sua importância física e cultural.
Rico Maciel cursou licenciatura em artes na Escola Guignard, da UEMG. É professor na Rede Municipal de Ensino.

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